Definitivamente o mundo é muito grande para nos contentarmos em nascer, crescer, viver e morrer no mesmo lugar, ou naquela meia dúzia de mesmos lugares. Viajar é aprender, é descobrir o que há de melhor e pior de nós mesmos, que o próprio umbigo não é o centro do universo, que a diversidade do ser humano é a melhor escola que se pode entrar.
Eu posso dizer que eu nasci viajante, e devo isso aos meus pais. Nasci na capital gaúcha dia 24 de dezembro de 1986, no auge do verão, e adivinha só, na estação mais mágica do ano, estava eu aos poucos meses de vida de malas prontas rumo ao litoral. Com certeza não foi a maior das minhas aventuras, mas literalmente foram os primeiros passos.
Ano após ano as idas a praia se tornaram um vício, que eu cultivo até hoje. Não sei o que é passar o ano novo sem pular as sete ondinhas, sem acordar pela manhã e ir caminhar pela praia, ouvir o relaxante som das ondas, a tarde estender a canga na areia, bater papo furado com os amigos e com a família, tomar aquela cervejinha gelada ou uma caipirinha, e contemplar o pôr-do-sol . Óbvio que quando eu era pequena o meu negócio na praia tava mais pra fazer castelinhos de areia e virar um verdadeiro croquete humano, mas enfim, a gente cresce.
A primeira maior aventura que eu lembro foi a viagem até Mato Grasso do Sul de carro, meu pai tinha uma Toyota Bandeirantes bege, e eu tinha 5 anos. Me lembro até hoje que dentro daquele carro eu me sentia a maior criança do mundo, e tinha a sensação que meu pai podia passar por cima de todos os outros carros, quase um tanque de guerra (criança tem uns pensamentos malignos de vez em quando, não?). Seriam mais de 1.800 kms rodados (ida e volta), muitas bagagens, meu pai, minha mãe, eu, e pra completar o programa de índio, mais um bebê de 2 anos, meu querido irmão Marcelo. Tenho a lembrança de ter passado muito mal naquela viagem, aliás uma das lembranças mais nítidas daquela viagem era minha mãe com um balde e pano de chão limpando a lambança no carro. Cruzes, quem em sã consciência viaja tudo isso com 2 crianças, MEUS PAIS.
Mas na minha memória, aquelas semanas na fazenda de um tio-avô no interior do Mato Grosso do Sul foram a minha primeira maior aventura, porque andar de cavalo, andar de camionete pelos pastos vendo centenas de cabeças de gado, encontrar no tanque de lavar roupa a isca para pesca (cobras – imagina o susto), e toda aquela realidade tão diferente da cidade grande, me fez entender, mesmo sem saber como se chamava, o que era choque cultural.
Mais de 10 anos se passaram, e outras tantas viagens aconteceram, até eu decidir o que eu queria ser pro resto da vida, uma viajante, uma exploradora, uma descobridora, queria conhecer cada canto do mundo, queria olhar pra imagem de um globo terrestre e poder chamar de “lar”, conhecendo cada espacinho, como se fosse minha casa mesmo, queria incentivar outros a querer trilhar caminhos sem aquele medo do desconhecido e viajar pra ser feliz.
Aí descobri o que eu o nome da profissão que eu queria ter, e tenho que confessar que foi meio decepcionante, o nome era Turismóloga. Sei lá, não soa bem, e até o Word concorda comigo, porque acabou de dizer que tá errado e que não existe essa palavra, viu até o Word nega a existência disso. Uma profissão tão encantadora e atraente, e um nome tão brochante. Enfim, prefiro dizer Bacharel em Turismo, mais pomposo. Mas no momento só me intitulo estudante de turismo, porque já se foram 6 anos de faculdade e o diploma ainda não chegou na minha mão. Mas eu juro que eu já estou chegando no destino final, e vou virar uma Bacharel em Turismo.
Mas convenhamos que 6 anos de faculdade me renderam uma boa bagagem, foram mais de 3 universidades, alguns empregos na área de turismo, umas viagens bem interessantes, Estados Unidos(2005/2006), Argentina(2008), África do Sul(2009), Austrália(2009), Inglaterra, França e Espanha (2010) e muita história pra contar.
Espero que vocês gostem, porque é só o começo!
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